A importância do contato visual na acolhida e o uso da máscara

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Uso da máscara na educação infantil.

Todos estamos nos preparando para o retorno às aulas, sejam elas presenciais, online ou híbridas. Neste momento, a primeira impressão é a que fica, e o contato visual é peça super importante para conquistar a confiança das crianças que atenderemos durante todo o ano. Mas há algo entre nós agora: a máscara, peça fundamental e obrigatória em tempos de pandemia.

Não estamos aqui para criticar o seu uso que, ressaltamos, é obrigatório. Mas para chamar a atenção para algumas dificuldades que surgirão neste momento de acolhida, a partir do uso da mesma.

O que acontece é que a máscara acaba dificultando a interação, por não permitir uma “leitura” completa de nosso rosto. Isso impossibilita a comunicação não só com aqueles que utilizam a leitura labial para se comunicar (como Marissa, minha esposa, que é surda, não sabe Libras e entende através da leitura labial)… mas também dos surdos sinalizados, que comunicam através de Libras. A língua de sinais não faz uso apenas das mãos, mas associa o seu movimento com as expressões faciais para reforçar várias idéias – podem ser gramaticais, relacionadas à estrutura, morfologia (por exemplo, elas marcam grau de intensidade, tamanho) e sintaxe (negação, interrogação, ênfase). As expressões faciais podem ser também usadas para expressar sentimentos (alegria, angustia, ansiedade, sofrimento). (fonte: Revista Unioeste, Conjur.)

Uma solução são as máscaras com visor transparente, que permite a visualização dos lábios do interlocutor. No dia-a-dia, entretanto, é uma máscara que embaça o tempo todo, e a qualidade da comunicação depende também da qualidade do visor – usamos uma durante alguns dias, e rapidamente o visor ficou todo amassado, além de permanecer embaçado quase todo o tempo.

Já existe uma lei federal 14019/2020 sobre o uso obrigatório de máscaras, onde está incluída a dispensa do uso pelos autistas e pessoas com outras deficiências.
§ 7º A obrigação prevista no caput deste artigo será dispensada no caso de pessoas com transtorno do espectro autista, com deficiência intelectual, com deficiências sensoriais ou com quaisquer outras deficiências que as impeçam de fazer o uso adequado de máscara de proteção facial, conforme declaração médica, que poderá ser obtida por meio digital, bem como no caso de crianças com menos de 3 (três) anos de idade.

Uma solução, então, é o uso do protetor facial apenas durante a aula, para facilitar a visualização do seu rosto e a leitura labial. Junto a outras medidas de prevenção, como afastamento, uso de álcool gel e higienização constante, essa medida vai facilitar em muito o momento da acolhida para crianças menores ou incluídas.

Mas nestes casos, como seria possível esta interação com a criança? Uma solução, é o uso do protetor facial de rosto (face shield) apenas durante a aula, para facilitar a visualização do seu rosto e a leitura labial. Isso junto a outras medidas de prevenção, como afastamento, uso de álcool gel e higienização constante, essa medida vai facilitar em muito o momento da acolhida para crianças menores ou incluídas.

Hoje em dia já vemos como opção no mercado as máscaras de policarbonato transparentes. Elas são uma opção que estamos querendo testar em breve. Foi desenvolvida por pesquisadores dos EUA após de incontáveis estudos e testes. Esta máscara, totalmente cristalina, foi projetada para as pessoas terem um bom fluxo de respiração, até mesmo enquanto praticam seus esportes. Segundo os pesquisadores, ela ainda conta com um sistema de antiembaçamento. A promessa é, com isso, facilitar a comunicação inclusiva, a comunicação no ambiente de trabalho, e negociações também, nas quais a linguagem corporal tem grande responsabilidade sobre o sucesso. 

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